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O que pode ser produzido em um FabLab?

Da vontade de apender a fabricar (quase) tudo, os FabLabs surgiram em 2005 nos Estados Unidos e se espalharam pelo mundo, conquistando pessoas criativas de diferentes perfis.

Escrito por Luísa Campos
Para entender o que pode ser produzido em um FabLab, precisamos saber, primeiro, o que é um FabLab! Abreviação em inglês de “laboratório de fabricação”, os FabLabs são espaços em que pessoas de todos os tipos e de diversas áreas profissionais, se reúnem para realizar projetos de fabricação digital.

Mas de onde surgiu essa ideia? O primeiro FabLab foi criado em 2005 no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), pelo professor Neil Gershenfeld, dentro da disciplina How to make (almost) everything, do inglês Como fabricar (quase) tudo, e o nome da disciplina já diz bastante sobre o que é um FabLab. Os espaços dos laboratórios de fabricação dispõem de equipamentos para que qualquer pessoa possa transformar as mais simples ou complexas ideias, em realidade.

(Imagem: Projeto Draft/Divulgação)

Atualmente, já existem mais de 450 laboratórios presentes em mais de 60 países. Mas, para um FabLab ser entendido como um laboratório de fabricação, é importante seguir alguns fundamentos:

  • Abrir as portas à comunidade, pelo menos, uma vez por semana – e com entrada gratuita!
  • Compartilhar ferramentas e processos com outros FabLabs
  • Participar ativamente da rede por meio de videoconferências e eventos presenciais

Os laboratórios também precisam oferecer aos usuários algumas máquinas próprias para fabricação dos projetos digitais: impressora 3D, cortadora à laser, cortadora de vinil, fresadora de pequeno formato e também de grande formato. Além disso, muitos FabLabs também investem em equipamentos de furação e de costura. Os FabLabs ainda precisam contar com uma equipe de profissionais que irá auxiliar os usuários a tornar uma ideia, inicialmente presente na mente, em algo palpável e com muita usabilidade. É preciso contratar um diretor, um fab manager (gerente), além de alguns gurus, especialistas em máquinas, softwares e processos, para dar aquela ajuda na hora de colocar a mão na massa.

Ainda existem três modelos de FabLabs: acadêmicos, públicos e profissionais. Os acadêmicos são sustentados por universidades ou escolas, o públicos por governos ou institutos de desenvolvimentos, como é o caso dos Hubs de Inovação da Fundação Educativa Ouro Preto. Os profissionais são os únicos modelos que precisam se preocupar com a viabilidade financeira, por isso, geralmente ganham o dinheiro alugando os espaços e máquinas para empresas desenvolverem seus produtos.

Um exemplo de laboratório de fabricação é o Brasília FabLab, criado em 2015 pelo designer de produto Guilherme Garcia, que percebeu uma carência em Brasília na área de fabricação digital. Por meio do site Fab Lab Brasil Network, Gustavo, em conjunto com sócios, entraram em contato com o universo do FabLabs e decidiram investir na ideia. Os frequentadores do FabLab de Brasília são de perfis variados: vão desde pessoas interessadas em construir barcos para navegar no Lago Paranoá, à empreendedores que desejam desenvolver protótipos de seus produtos.

(Imagem: Projeto Draft/Divulgação)

O FabLab Newton é responsável por viabilizar projetos de alunos e empreendedores mineiros.  O laboratório de fabricação da Newton ainda oferece workshops para ensinar a operar os equipamentos, e presta apoio durante toda a execução dos projetos. Desde sua inauguração, em 2016, já foram viabilizados mais de 2 mil protótipos.

Um exemplo de projetos já desenvolvidos pelo laboratório de fabricação da Newton, é o da aluna de Engenharia Mecânica, Natália Romagna. A estudante criou uma prótese de bico de maritaca, em parceria com a coordenadora do curso de Veterinária, Paula Guimarães. Outro produto desenvolvido, desta vez por uma pessoa da comunidade, foi um chuveiro desenvolvido em uma impressora 3D que ajudou em um problema de instabilidade de aquecimento de água na área rural.

(Imagem: Newton Paiva/Divulgação)

Conheça alguns dos projetos desenvolvidos no FabLab Newton:

Chuveiro –  projeto de uma pessoa da comunidade para resolver problema de instabilidade de aquecimento na área rural. Chuveiro foi prototipado na impressora 3D.

Extrator – desenvolvido por alunos de Odontologia como projeto aplicado. Trata-se de um extrator de agulhas para diminuir o risco de lesão nas mãos durante o manejo e descarte de agulhas cirúrgicas. Foi prototipado com impressão 3D.

Drone – TCC de alunos de Engenharia Mecânica, drone foi impresso em 3D e os motores com controle remoto foram desenvolvidos com instrumentos de eletrônica. Objetivo do veículo é localizar vítimas em locais pantanosos ou de difícil acesso.

Seringa de resina – desenvolvida pelos alunos de Odontologia e impressa em 3D visando reduzir o risco de contaminação durante restauração dental.

Mobiliário urbano modular – protótipo de um banco que se adapta ao espaço, desenvolvido na Fresadora CNC, em madeira, por arquitetos que frequentaram o Fab Lab.

LUMI ON – Sistema de controle de iluminação do campus pelo celular, utilizando tecnologia wi-fi. Desenvolvido pelos alunos e membros da equipe Fab Lab, Marley Rosa (Engenharia Elétrica) e Gesley Evening (Sistemas de Informação).

FLARP – Tapete de borracha interativo, que aprimora a coordenação motora de pessoas com síndrome de down. Desenvolvido por Thales Malvar, aluno de Arquitetura e voluntário no Fab Lab.

Manequim Odontologia – Reconstituição em modelagem e impressão 3D de manequins para prática odontológica da Clínica de Odontologia. Projeto de Natália Romagna, aluna de Engenharia Mecânica e mentora Técnica em Modelagem 3D.

NIDO – Estrutura modular e flexível, que funciona como abrigo e lugar para carregar o celular. Projeto desenvolvido pelo aluno Danilo Nascimento, de Engenharia Civil, bolsista no Fab Lab.

Prótese de mão da Marina – Marina tem 10 anos e vai ganhar uma prótese de mão em 3D. Projeto da Natália Romagna, aluna de Engenharia Mecânica e mentora Técnica em Modelagem 3D.

Prótese de bico de Maritaca – Projeto em parceria com a Clínica de Veterinária e a coordenadora do Curso de Veterinária, Paula Cambraia Guimarães. Projeto da Natália Romagna, aluna de Engenharia Mecânica e mentora Técnica em Modelagem 3D.

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